CUT rejeita Temer e tratará qualquer outro governo como ‘golpista’

Unidas na organização do 1º de Maio, no próximo domingo, CUT, CTB e Intersindical já fecharam questão contra um possível governo de Michel Temer, que ontem (26) recebeu a visita de presidentes de outras quatro centrais (Força, UGT, CSB e Nova Central). “Se esse processo de impeachment acontecer, a CUT não reconhecerá nenhum governo. É golpista e receberá o tratamento de golpista”, afirmou hoje o secretário-geral da central, Sérgio Nobre. “Nós respeitamos a autonomia de cada central, mas achamos um erro”, comentou o dirigente, sobre a reunião em Brasília, chamando o programa do PMDB de “Ponte para o passado”. Centrais e movimentos sociais esperam intensificar a “batalha” da informação sobre reais motivações dos defensores do impeachment.

“A votação no Senado está prevista para o dia 11. Até lá, vamos organizar uma série de mobilizações”, disse Nobre. “As pessoas não sabem por que a presidenta Dilma está sendo ‘impitimada’, não sabem o que é pedalada fiscal, confundem com Operação Lava Jato, não sabe que 60% dos parlamentares estão indiciados. Queremos debater com o maior número de pessoas. Está claro que esse golpe é contra a classe trabalhadora e contra a democracia.” Dados obtidos pela Empresa Brasil de Comunicação apontam 58% dos deputados federais – que no dia 17 aprovaram a continuidade do processo de impeachment – são condenados ou respondem a processos judiciais.

Segundo ele, o ato de domingo em São Paulo, no Vale do Anhangabaú, terá um caráter de “assembleia popular”, contra o golpe e em defesa dos direitos sociais. “Não há nenhum crime de responsabilidade da presidenta Dilma, e ela está sendo ‘impitimada’ por um Congresso ilegítimo e comandado por um bandido”, criticou o cutista. “Quem quiser governar o país que vença as eleições de 2018.”