Jucá, escudeiro de Temer, revela a trama do golpe contra Dilma

“Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel [Temer]. (…) É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional”, diz Sérgio Machado. E o senador Romero Jucá responde: “Com o Supremo, com tudo”. Machado conclui: “Com tudo, aí parava tudo. ”

É como se dissessem: chama o Temer para nos salvar da Lava-Jato – este é o resumo da conversa telefônica entre Sérgio Machado (presidente da Transpetro entre junho de 2003 e evereiro de 2015) e Romero Jucá (PMDB/RR), senador que até ontem ocupava estratégico ministério do Planejamento do governo golpista.

A conversa foi divulgada na segunda-feira (23) e escandalizou o país ao expor, de maneira irrespondível, o roteiro do golpe midiático-judicial-parlamentar que pretende afastar em definitivo a presidenta Dilma Rousseff do governo e impor ao país um gigantesco retrocesso para deter o avanço alcançado nos 13 anos de governos populares e democráticos.

Aquela conversa confirma a denúncia dos democratas e legalistas desde o início da conspiração: os golpistas temiam as investigações em curso, medo agravado pela disposição da presidenta Dilma Rousseff de não interferir nem colocar obstáculos a elas, “doa a quem doer”.

A intenção, como a conversa divulgada deixa claro, era tomar o governo de assalto e paralisar a Lava Jato. Machado e Jucá deixam claro que esta era, para eles, uma necessidade imperiosa.

Comprova também outro aspecto visível da ilegitimidade de Michel Temer: sua ligação íntima com os comandantes do golpe investigados pela Lava Jato.

O presidente em exercício é revelado, de corpo inteiro, como aquele que foi escolhido para cumprir, à frente do governo federal, os ditames golpistas. Revela a falta de autoridade de Temer sobre o governo. Não pode sequer aparecer nos corredores do Congresso Nacional, onde – como se viu nesta segunda-feira (23) – foi submetido ao vexame de vaias e protestos.

A mídia conservadora se esforça para isolar Michel Temer de Romero Jucá e difunde a narrativa inverídica de um distanciamento entre eles.

Romero Jucá, um dos defensores de primeira hora de Michel Temer, comportou-se como o escudo de Temer – e do golpe! – e tem revelado a disposição de manter essa imagem com força. Desde que, também deixou claro, não seja abandonado face às investigações que correm contra ele na Lava Jato.

Terão Temer e seu governo condições de manter esse agora combalido escudo?

Não será tarefa fácil, e a dificuldade pode se agravar. Os democratas do Brasil e do mundo não aceitam o golpe e lutam contra ele.

As revelações da conversa entre Jucá e Machado, reforçam a luta contra o golpe – nas ruas e, agora, no Senado. O clamor popular, que já é imenso, precisa crescer.

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