Patrões falam em ‘crise’ em primeira rodada de negociação; Sindicato aponta que dólar em alta aquece o setor

 

A “crise” econômica é argumento recorrente dos patrões na tentativa de esvaziar as campanhas salariais. Na primeira mesa de negociações dos calçadistas de Jaú a “crise” foi citada pelo representante do Sindicalçados de Jaú, representante dos empresários, para dizer que não será simples atender às reivindicações de reajuste salarial com aumento real de 5% pretendido pelo trabalhador (a) calçadista de Jaú.

Na sexta-feira (10 de junho), o Sindicato Calçadista e Sindicalçados retomam a negociação, que nesta quarta-feira foi iniciada com o diretor Flávio Coutinho (Sindicato Calçadista), e o diretor Executivo do Sindicalçados, José Geraldo Galazzini.

A renovação da taxação do calçado chinês no Brasil, o dólar em alta, inflação em baixa e, especificamente,  os calçadistas de Jaú sem aumento real há pelo menos 5 anos, desmontam argumentos da “crise” para não reajustar salários com aumento real em Jaú.

José Carlos Guedes, da Federação dos Trabalhadores Coureiros, Calçadistas e Vestuaristas (FETRACOVEST), define que justificar a “crise” para não dar aumento real ao trabalhador (a) calçadista representa o empresário “dar um tiro no próprio pé”. “Não justifica, mesmo se considerando a dificuldade no comércio e que se pisou no freio. O trabalhador (a) calçadista também consome calçados e outros produtos”, pontua Guedes.

Ele cita que a elevação do dólar nos patamares atuais ajuda o setor do calçado a exportar mais e segura a importação. Além disso, foi prorrogada pelo governo federal a taxação dos calçados chineses vendidos no Brasil, medida  conhecida como antidumping. Cada par de calçado chinês que entrar no Brasil recebe uma sobretaxa, evitando que o preço do produto importado seja mais atraente do que o similar nacional, o chamado dumping.

“Tem que apostar no Brasil. Investindo no salário do trabalhador (a)”, finaliza Guedes

 

Dolár bom pra sapato

A moeda norte-americana está estabilizada e um dólar chegou a valer 4 reais no ano passado. Muita gente desistiu de viajar de férias para o exterior no mês de julho. Culpa do dólar alto. Para o setor calçadista é uma ótima o dólar mais caro. Os especialistas apontam que o produto nacional torna-se mais competitivo no mercado nacional e internacional. No cenário de alta da moeda norte-americana, alguns importadores poderão fazer a escolha de comprar da indústria brasileira para não pagar mais caro, movimentando mais o consumo dos produtos fabricados no Brasil.

Em conseqüência , projeta-se aumento de postos de trabalho para dar conta de uma demanda por produto brasileiro, como o calçado. Consequentemente, um aquecimento da economia para a indústria nacional. Esse movimento beneficia os empresários brasileiros que produzem por aqui. A exportação de sapatos também cresce com o empresário motivado a produzir visando exportar para ter um lucro maior, com o dólar valorizado em relação ao Real.

Campanha salarial unificada

A campanha salarial do Sindicato Calçadista de Jaú  integra a Campanha Salarial Unificada da CNTRV (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo do Vestuário), o que dá mais força para as negociações do setor calçadista em todo o Brasil.

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