STF desmoraliza atitudes equivocadas de juiz Sérgio Moro

O ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki, que cuida dos processos da Operação Lava Jato na Corte Suprema,anulou os grampos telefônicos em que Lula e a presidenta eleita Dilma Rousseff tratavam dos trâmites para que o ex-presidente assumisse a Casa Civil. Zavascki destacou que Moro não poderia ter feito julgamentos sobre gravações que envolviam autoridades com prerrogativa de foro, e muito menos tomado atitudes práticas no processo, como o levantamento do sigilo das escutas.

“A decisão proferida pelo magistrado (…) está juridicamente comprometida, não só em razão da usurpação de competência, mas também, de maneira ainda mais clara, pelo levantamento de sigilo das conversações telefônicas interceptadas, mantidas inclusive com a ora reclamante [a presidenta afastada Dilma] e com outras autoridades com prerrogativa de foro”, diz Zavascki.

Segundo a decisão do ministro do Supremo, “foi também precoce e, pelo menos parcialmente, equivocada a decisão que adiantou juízo de validade das interceptações, colhidas, em parte importante, sem abrigo judicial, quando já havia determinação de interrupção das escutas”. A gravação do diálogo entre Lula e Dilma ocorreu duas horas depois da ordem judicial para que a Polícia Federal interrompesse os grampos. Para Zavascki, ao levantar o sigilo dessas gravações, Moro não adotou “as cautelas previstas no ordenamento normativo de regência, assumindo, com isso, o risco de comprometer seriamente o resultado válido da investigação”.

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