Depois de abusos contra Lula, Lava Jato diz não ter provas contra ele

A vida do ex-presidente Lula e de seus familiares foi completamente devassada pelas operações da Lava Jato em conluio com a imprensa. Uma tentativa de mascarar a realidade por meio de vazamentos de delações e factoides.

No dia 4 de março deste ano, a Polícia Federal, por ordem do juiz Sérgio Moro – responsável pela Lava Jato em Curitiba, prendeu coercitivamente o ex-presidente levando-o numa viatura policial para depor. Sob forte aparato policial e de câmeras da grande mídia, Lula foi retirado de sua casa e levado para uma sala no aeroporto de Congonhas para ser ouvido, quando poderia ter dado o depoimento em sua residência ou ido, como fez por vezes, voluntariamente depor. Nesse mesmo dia, a residência de Lula foi completamente revirada. O Instituto Lula foi ocupado por policiais. Em todas as operações foram apreendidos documentos, computadores e outros objetos pessoais. Até o sítio em Atibaia, que não pertence ao ex-presidente, foi alvo da operação.

Grampos ilegais, autorizados e divulgados por Moro, foram massivamente publicados como se tratassem de “confissões” e “negociatas”. Ao todo, Moro divulgou 52 grampos. Isso mesmo, 52 gravações de conversas do ex-presidente, inclusive com seus advogados, o que também fere o direito de sigilo do advogado e cliente. Apesar disso, segundo o jornalista do Zero Hora, “mesmo antes de se debruçarem oficialmente sobre os três casos que envolvem o ex-presidente, os integrantes do Ministério Público Federal (MPF) que agem em Curitiba já firmaram convicção de que nenhum dos episódios enseja gravidade suficiente para justificar a colocação do líder petista atrás das grades — pelo menos, não antes do julgamento”.

Ainda segundo o jornalista, os procuradores “estão decididos a agir com a cautela” porque “não existem, no entender deles, indícios que justifiquem a prisão do ex-presidente”. Os procuradores teriam afirmado que Lula “não chegou a intimidar testemunhas ou mover dinheiro no exterior, nem tentou eliminar provas, como ocorreu com outros réus da Lava Jato”. Essa “cautela” citada pelo jornalista nós podemos chamar de uso político da Lava Jato. Isso porque até a aprovação do pedido de impeachment da presidenta Dilma, o ex-presidente Lula e seus familiares eram alvos de vazamentos ilegais e operações da PF. Diariamente a imprensa trazia supostas delações e depoimentos citando o ex-presidente.

Agora, preferem “agir com cautela”, ou seja, basta a presidenta Dilma retomar o seu cargo ou o ex-presidente Lula confirmar sua candidatura, que a cautela vai dar lugar a operações.

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