Com acordo Temer-Cunha, é chegada a hora de colocar fim na farsa do Impeachment

Por que Eduardo Cunha renunciou à presidência da Câmara dos Deputados? De acordo com o jornal O Globo, da família Marinho, porque obteve do interino Michel Temer a garantia de que, assim, conseguiria manter seu mandato de deputado federal, preservando o foro privilegiado e evitando ser julgado em Curitiba, pelo juiz Sergio Moro. Uma das evidências do acordo foi o recurso enviado à Comissão de Constituição e Justiça, pedindo para que seu processo de cassação retorne ao conselho de ética – manobra que, segundo O Globo, repita-se, tem o “aval” de Temer.

No entanto, um eventual salvamento de Cunha, acusado de receber dezenas de milhões de dólares em propinas e de manter diversas contas no exterior, seria desastroso não apenas para o Legislativo, que perderia de vez sua credibilidade, como também para o próprio Poder Executivo. Temer tem sido cobrado em todos os editoriais da mídia tradicional, bem como por colunistas como Jorge Bastos Moreno, a cortar seu cordão umbilical com Cunha. Falar, no entanto, é bem mais fácil do que fazer. Caso Temer decida abandonar na beira da estrada seu principal aliado, a quem chamou de “incansável batalhador político e jurídico” numa entrevista recente, ficará à mercê de sua eventual vingança. O fato de ter dado aval ao resgate de um político que hoje simboliza a corrupção (como noticia O Globo) demonstra que, na prática, Temer é refém de Cunha e pode, a qualquer momento, ser abatido por ele.

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