Mídia brasileira é cúmplice do golpe

Maria José vai reforçar a denúncia do golpe, que tem sido combatido desde o início pela gestão da Fenaj que se encerra no final do mês. Segundo ela, a imprensa tradicional deixou o jornalismo de lado para realizar uma campanha pela destituição da presidenta eleita e para deformar os partidos políticos do campo da esquerda. “A nossa principal ação agora é a política e a sociedade brasileira tem mostrado disposição para a resistência e para a luta”, declarou.

Visibilidade para a informação crítica
“Precisamos também usar todas as oportunidades que a tecnologia oferece. Precisamos utilizar essa rede alternativa e crítica contra o pensamento hegemônico e fazer disso um locus de produção de informação e de difusão, como tem sido feito, a questão é fortalecer esses canais e dar uma dimensão mais pública”, propôs. Ela explicou que esse pólo de informação criaria redes de comunicação de trabalhadores, ativistas e diversas categorias profissionais e movimentos dentro do campo dos que defendem a democracia. As informações que existem circulariam a partir destas redes para ganhar visibilidade.

Comunicação partidária
Para ela o caso da pesquisa Datafolha mostra que o veículo abandonou o jornalismo para defender interesses políticos, econômicos e partidários. “Houve um interesse em favorecer o presidente em exercício que é na verdade um presidente golpista”. A partir de pesquisa DataFolha realizada nos dias 14 e 15 de julho, a Folha de S. Paulo publicou que 50% dos entrevistados preferiam que Temer continuasse no mandato em lugar da presidenta Dilma Rousseff. Ainda pela pesquisa, segundo a Folha, apenas 3% optaram por novas eleições. O site The Intercept, do jornalista Glenn Greenwald, foi um dos primeiros a apontar a manipulação e divulgar que o relatório da pesquisa mostrava outro dado que dizia que “60% são favoráveis a nova eleição”.

Legitimidade ao golpe
“Em um período de restrições de direitos o primeiro alvo é o direito à comunicação, é o ataque à pluralidade e à diversidade. Para que o golpe se consolide ele precisa de um aparato de comunicação que dê credibilidade e sustentação”, explicou Renata. Desse ponto de vista, Renata conclui, em uma visão pessoal dela, que o trabalho da imprensa alternativa, com os blogs e iniciativas nas redes sociais, tem incomodado a grande mídia. E, portanto, precisam ser combatidos.
Como parte dos ataques ela citou, além dos projetos legislativos em trâmite sobre a internet, a tentativa de asfixiar economicamente blogueiros. “A suspensão de contratos e verbas de publicidade para os veículos alternativos assim como a judicialização da censura são formas de calar sites e blogs”, ressaltou.
Retrocessos
Renata reafirmou a declaração de Maria José sobre o fortalecimento da comunicação alternativa e acrescentou que é preciso proteger a mídia independente e todos os segmentos que atuam para fazer o contraponto da informações dominante.  “O momento agora é de denunciar, resistir e fortalecer os mecanismo que nós temos e impedir retrocessos nos campos institucionais e principalmente na internet que, hoje, está sob ataque”, defendeu.
Desconforto nas redações
Maria José respondeu ainda sobre a disputa travada dentro das redações dos grandes veículos. Para ela as redações são um local permanente de desconforto e que muitas vezes acaba em demissão e em afastamento do profissional de determinada área. “Não existe debate interno nos veículos cada um faz o seu trabalho e muitas vezes as pressões sofridas não chegam ao conhecimento dos colegas”, disse Maria José. Mesmo reconhecendo as dificuldades que o profissional enfrenta, ela defendeu que o jornalista atue para tornar pública a verdade para a população. “O jornalista tem que denunciar e se posicionar política e internamente. Se todos baixarem a cabeça não há enfrentamento. Se alguns levantarem, o enfrentamento se dá de forma moderada. Se todos se levantarem o enfrentamento se dá de maneira bastante significativa e os resultados são mais positivos”, enfatizou.
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