Querem usar a Previdência para aumentar lucro das empresas

A professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Sara Granemann, especialista em seguridade social, defende que a Previdência Social não é deficitária. A discussão foi feita durante a conferência Saúde do Trabalhador no Contexto da Seguridade Social, promovida pelo Departamento Intersindical de Saúde no Trabalho (Diesat), ontem (29), em São Paulo. Os participantes da mesa defenderam que, na verdade, a reforma da Previdência e outros cortes em políticas sociais são estratégias pra reverter a queda na taxa de lucro dos grandes grupos econômicos, registrado nas últimas décadas.

“A Previdência Social não é deficitária. Se fosse não seria objeto de tanta cobiça”, defendeu Sara. “Para fazer a conta que não fecha, na qual a previdência é deficitária, se calcula apenas a contribuição da folha de pagamento, mas a Previdência também é composta pelo Cofins, por Contribuioção Sobre o Lucro Líquido e por outras fontes de financiamento”, explicou.

O Produto Interno Bruto (PIB) estimado para o país em 2016 será de R$ 5,5 trilhões e o fundo público da Previdência ficará em R$ 2,3 trilhões. “Esse valor é suficiente para garantir qualidade de vida para população e segurar que todos os brasileiros comam pelo menos três vezes por dia”, afirmou a professora. “O Estado está a mercê do capital, que faz investidas para que a distribuição do fundo público não seja para as políticas sociais.”

“O capitalismo precisa da crise, é o oxigênio dele. Quando a taxa de lucro cai, a forma de manter o ganho da classe dominante é cortando direitos sociais”, afirmou o economista e professor da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), Áquila Mendes. “O Estado vem protegendo o lucro mesmo com o mundo do trabalho perdendo força frente ao capital”.

Sara e Mendes acreditam que a saída para defender a Previdência e impedir cortes em direitos sociais seja a mobilização da classe trabalhadora, que acabou perdendo força inclusive nos últimos anos de governo petista. “A classe trabalhadora não está na rua. Nos últimos 13 anos as organizações trabalhistas não foram fortalecidas. Agora não adianta abrir a janela e gritar ‘trabalhadores do mundo, uni-vos’, porque está havendo um golpe, e esperar resistência”, criticou Sara.

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