Ato do MST em Jaú pede reforma agrária e denuncia governo golpista de Michel Temer

 

Sem-terra denuncia Grupo Atalla por concentrar terras e lesar trabalhadores de Jaú e região

O MST desocupou a Usina Lambari, em Jaú, de propriedade da massa falida do Grupo Atalla, nesta sexta-feira (5). A ocupação com cerca de 1000 pessoas foi terça (2) seguindo estratégia da Jornada Nacional de Lutas do MST, de 25 de julho a 5 de agosto, período em que o movimento social fez ocupações de terras em todos o País.

Selma Santos, dirigente estadual do MST-SP, comenta que esta ação em Jaú teve importante repercussão para as mobilização do MST na região e no Estado de São Paulo. Até então, o MST não havia ocupado um latifúndio em Jaú. O movimento avalia que o Ato do MST em Jaú representa um marco histórico para o Movimento na região.

Na sexta (5), o MST fez um Ato Político na cidade de Jaú dialogando com a população jauense, especialmente os trabalhadores lesados pelo Grupo Atalla, que têm ações trabalhistas que se arrastam há anos.

As famílias saíram da área de 1000 hectares da Usina Lambari. Da entrada de Jaú, o grupo seguiu em marcha por 3 quilômetros até a sede da Justiça Federal, no centro. Em contrapartida à ocupação, a empresa obteve liminar de despejo. O Ato também denunciou o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, encabeçado pelo PMDB do presidente interino Michel Temer.

Sem reforma agrária

Selma comenta que, nos últimos anos, o processo de reforma agrária no Brasil está paralisado. A dirigente estadual do MST ressalta que, atualmente, existem cerca de 14 mil famílias acampadas no Estado de São Paulo e aproximadamente 85 mil no Brasil aguardando o processo de reforma agrária.

O Ato em Jaú denunciar a contradição do País da concentração de áreas, famílias acampadas há anos no Estado, enquanto grandes propriedades, como as do Grupo Atalla, servem ao interesse do capital estrangeiro voltada para a produção de commodities agrícolas.

“Mostramos ao trabalhador jauense que o MST é um movimento social protagonista na luta pela terra e faz o enfrentamento ao capital, seja o financeiro ou o agrário, que representa, atualmente, o agronegócio”, pontua Selma. Ela acrescenta que o agronegócio é a junção do capital financeiro, industrial e agrário, em um período em que há uma grave crise econômica mundial.

Em momento de crise econômica mundial, a classe trabalhadora é quem paga a conta, com o desemprego, alimentos com valores absurdos (banana nânica a R$ 3,79 o quilo; feijão carioquinha R$ 13,00 o quilo; leite longa vida próximo de R$ 5,00 o litro, entre outros gêneros alimentícios).

 

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Atalla: Concentração de terras e sonegação

O Grupo Atalla representa um processo de concentração de terras em todo o Estado. Selma Santos, dirigente estadual do MST-SP, esclarece que o Grupo possui apenas no Estado de São Paulo cerca de 200 mil hectares, em grande parte com demandas judiciais, por conta de dívidas com a União e o governo estadual.

As intervenções do MST também denunciam a sonegação fiscal promovida por empresas, como é o caso da Central Paulista de Açúcar e Álcool, com matriz em Jaú, de propriedade do Grupo Atalla.

 

Reivindicações

O MST reivindica que as áreas do Grupo Atalla sejam destinadas à reforma agrária  em que o Estado fica com a área em troca da dívida da empresa (pelo mecanismo adjudicação). As terras são especificamente destinadas à reforma agrária.

“Toma-se essas áreas e realiza um processo de reforma agrária. É uma forma de se fazer justiça social, uma vez que o Grupo Atalla extraiu o suor e o sangue dos trabalhadores para se enriquecer de forma ilícita. O Incra já declarou que os imóveis rurais do Grupo Atalla estão passíveis de adjudicação para fins de reforma agrária”, ressalta Selma.

A dirigente estadual do MST explica que enquanto o processo de adjudicação não ocorre, o movimento continuará em luta, com ações que visam pressionar para que os problemas das famílias acampadas sejam imediatamente resolvidas.

“A luta pela terra é conjugada com a luta por direitos, sem retrocessos para as conquistas da classe trabalhadora”, pontua.

 

mst

 

 

 

 

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