‘Se mexerem nos direitos, não vai ter Lulinha paz e amor’, diz Lula

Em ato com petroleiros e metalúrgicos da industria nava, em frente ao Estaleiro Mauá, em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou estar disposto a participar de qualquer mobilização para denunciar as ameaças a direitos conduzidas pelo governo interino de Michel Temer. Lula destacou o acesso de grande parte da população antes excluída ao mercado de consumo e também às políticas públicas de inclusão, em especial a educação, por meio de programas como ProUni, Pronatec, Fies e de cotas.

Sobre o afastamento da presidenta Dilma Rousseff, o ex-presidente afirmou que começa hoje a “semana da vergonha nacional”, quando o Senado dá início a fase final do julgamento do processo de impeachment. “Os senadores que vão votar para ela ser afastada, não estão cassando a Dilma, estão cassando o voto que vocês deram. Dilma não cometeu nenhum ato de ilegalidade. Descobriram um jeito de chegar ao poder sem disputar o voto popular”, disse.

Lula lembrou que, em Niterói, Dilma foi vitoriosa em 2014, bem como em todo o estado do Rio de Janeiro, e citou o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) como exemplo de deslealdade, lembrando que a reeleição de Crivella contou com o seu apoio e do PT. O ex-presidente voltou a defender investigações de casos de corrupção na Petrobras, mas disse não poder aceitar que os trabalhadores da indústria naval paguem com seus empregos o preço da paralisia causada no setor em decorrência das ações da Operação Lava Jato. “Não queriam e não querem que o Brasil seja protagonista. O que está em jogo é a tentativa de desmontar o direito desse país de ser grande e o direito da Petrobras de ser a empresa mais importante do setor. Caindo a Petrobras, caem milhares de pequenas, médias e grandes indústrias”, acrescentou.

Citando números levantados pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), Lula destacou a crise do emprego no setor petrolífero e na indústria naval, com o fechamento de diversos estaleiros no estado do Rio de Janeiro. Entre janeiro de 2015, abril de 2016, foram fechados mais de 335 mil posto em toda a indústria de óleo e gás. Já a indústria naval perdeu quase a metade das vagas. Em 2014, chegou a empregar 82 mil trabalhadores e, agora, conta com cerca de 43 mil. O ex-presidente defendeu o regime de partilha para o pre-sal, bem como a política de conteúdo nacional desenvolvida pela Petrobras, que garantiu a preferência da produção brasileira na aquisição de sondas e embarcações, permitindo o ressurgimento da indústria naval no Brasil.

“Essa gente que governou antes, e quer governar agora, como não sabe governar, começa vendendo o patrimônio público. De repente, esse país de vai abrir mão da sua soberania para ficar mendigando favor. Está prevalecendo o complexo de vira-lata nos que querem dirigir o pais”, afirmou, em alusão ao projeto de José Serra que pretende retirar a exclusividade de 30% da Petrobras na exploração do pré-sal, abrindo espaço para as petrolíferas estrangeiras.

Denunciando o golpe

Lideranças sindicais e políticas também se manifestaram em defesa da Petrobras, da industria naval e da democracia. O coordenador-geral da FUP, José Maria Rangel, lembrou que, em 2004, durante a construção da plataforma P-43, o estaleiro Mauá chegou a contar com cerca de 11 mil trabalhadores. Hoje, são cerca de 350. “Não podem acreditar no povo aqueles que não conhecem o povo. É isso que esses golpistas fazem. Querem destruir a Petrobras e as indústrias que a orbitam, porque não conhecem o povo brasileiro. Temos urgência em retomar o brasil que nós sonhamos.”

O prefeito de Maricá, Washington Quaquá (PT), lembrou até o início dos anos 2000 não havia quase nenhum estaleiro aberto no Rio de Janeiro e que agora, o governo interino quer entregar o pré-sal para as petrolíferas americanas. A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) classificou Temer como traidor.

O líder nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, presente ao ato, afirmou que o golpe é contra o povo brasileiro, previu dois anos difíceis e evocou a necessidade de unidade entre todas as classes de trabalhadores na luta contra a retirada de direitos. “Qualquer categoria que for afetada pelo golpe, devemos nos insurgir unidos.”

O presidente da CUT, Vagner Freitas, acusou o golpe contra os 54 milhões de eleitores que votaram em Dilma, criticou os impactos da Lava Jato nos empregos e nas atividades de toda a cadeia produtiva do petróleo e gás e na indústria naval, e disse que a saída para defender os direitos dos trabalhadores passa pela realização de uma greve geral.