Dilma lembra a Aécio perseguição desde o resultado das urnas em 2014

Durante o debate com os senadores, a presidenta Dilma Rousseff teve a oportunidade de se dirigir diretamente ao seu opositor nas eleições de 2014, Aécio Neves (PSDB-MG). Utilizando o tempo que tinha para inquirir Dilma, o tucano citou falas usadas por ela durante o processo eleitoral e criticou o argumento da defesa de que o processo caracteriza um golpe pelo fato de ela ter sido eleita legitimamente em 2014. “Vossa Excelência recorre aos votos que recebeu como justificativa. Não é salvo-conduto. É delegação que pressupõe deveres e direitos. O maior dos deveres de quem recebe votos é o respeito a leis e à Constituição”, provocou.

Dilma respondeu em forma de crítica à postura antidemocrática do senador mineiro desde a derrota eleitoral.“Nós não podemos aceitar que se insista e que se faça a política do ‘quanto pior, melhor’. Porque eu acredito no direito sagrado da oposição de defender uma política contrária à da situação, isto faz parte da riqueza democrática. Mas o que não pode fazer, em nome do ‘quanto pior, melhor’, é impedir o país de sair da crise, com graves consequências para a população”, afirmou.

Para a presidenta, o que ocorre no Brasil atualmente é a união de duas forças diferentes, mas com o mesmo objetivo. “Uma queria impedir que a sangria continuasse, a outra queria impedir que saíssemos da crise.”

“A partir do dia seguinte à minha eleição, uma série de medidas políticas foram tomadas para desestabilizar o meu governo. Primeiro, pediu-se a recontagem dos votos. Depois, pediu-se a auditoria das urnas – nos dois casos, depois de um ano, verificou-se que não havia nenhuma irregularidade”, continuou. “Na sequência, antes da minha diplomação, arguiu-se no TSE e levantou-se a necessidade de auditar as minhas contas. E isso foi feito e está em processo. Não sei se o senhor se lembra, senador, mas o TSE permitiu minha diplomação porque não encontrou nenhuma irregularidade.”

Questionada sobre a investigação de suas contas de campanha no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dilma disse que o mesmo também ocorre com o senador mineiro: “Sistematicamente o senhor vem me acusando”, disse Dilma.

Por fim, ponderou que respeita o voto das urnas. “Quero deixar claro que eu respeito o voto direto neste país. Acho que o voto direto é uma grande conquista nossa. Sempre disse que prefiro o barulho das ruas, das divergências eleitorais. Agora, não respeito a eleição indireta que propõe um processo de impeachment sem crime de responsabilidade.”