‘Michel Temer é um coadjuvante. O líder é, ou era, Eduardo Cunha’

Respondendo a uma questão do senador Telmário Mota (PDT-RR), que quis saber com quem vai governar se voltar ao cargo, e de Cristovam Buarque (PPS-DF), que perguntou por que escolheu Michel Temer duas vezes como vice de sua chapa, a presidenta Dilma Rousseff fez uma análise política sobre o PMDB.  Segundo ela, o Brasil sempre teve um centro democrático que congregou lideranças progressistas. “Mas o centro democrático perdeu a hegemonia dos progressistas e passou a ter a mais retrógrada posição que o país já assistiu.”

Ela lembrou o diálogo entre o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o delator Sérgio Machado, que veio a público em maio, em que Jucá afirma: “O Michel é Eduardo Cunha”. “Quando (Jucá) disse que Michel é Cunha, quis dizer que Temer integra o grupo de Eduardo Cunha. Quando o centro democrático deixa de ser progressista e passa a ser golpista e conspirador, ele tem um líder. Michel Temer é um coadjuvante. O líder é, ou era, Eduardo Cunha”, disse.

Ela disse lamentar que a ala progressista tenha sido substituída por forças e lideranças “sem padrões éticos”. “Com esse PMDB, eu jamais conviverei novamente.” Dilma afirmou considerar grave a mudança de caráter do centro político. “No Brasil, o centro democrático é fundamental para que nós tivéssemos as conquistas democráticas. Esse PMDB, que teve no deputado Ulysses Guimarães a sua maior força, mas não só, esse centro sofreu uma alteração profunda, deixando de ser democrático.”

Ela explicou por que Michel Temer foi escolhido como seu vice por duas oportunidades, mas eleições de 2010 e 2014. “Supúnhamos que (Temer) fosse desse centro democrático progressista, transformador. Achamos que representava o que havia de melhor no PMDB.”

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