Nota da CNTRV/CUT sobre o Golpe Parlamentar no Brasil

Neste dia 31 de agosto de 2016, o Senado Federal foi palco de um emblemático rompimento dos princípios democráticos brasileiros garantidos pela Constituição de 1988.  O impeachment de uma presidenta eleita democraticamente, sem nenhuma acusação comprovada de crime, sem conta no exterior e sem nenhum envolvimento em escândalos de corrupção, gera à população do Brasil e do mundo a dúvida sobre solidez das bases democráticas do nosso país.

Se, de um lado, como ré, está uma presidenta honesta, do outro, como acusadores, estão políticos repletos de denúncias de corrupção, contas em paraísos fiscais e tantos outros crimes que só vieram à tona graças à autonomia dada pela própria presidenta Dilma à Controladoria Geral da União (órgão eliminado pelo governo golpista de Michel Temer) e à Polícia Federal.

Não há dúvida de que um dos principais objetivos para o impedimento de Dilma é o cancelamento das investigações contra corrupção. Mas esta não é a única razão.

À luz do Golpe no Brasil, está a implementação imediata de uma agenda para destruição dos direitos sociais e trabalhistas. Além disso, o que se pretende é o aprofundamento do Estado Mínimo, com privatizações e terceirizações dos serviços públicos.

O Brasil, que por diversas vezes no novo século se destacou mundialmente pelo combate à fome e à miséria; por seu desenvolvimento em plena crise financeira mundial; e pela superação dos problemas sociais mais graves, agora é reconhecido por sua fragilidade democrática e pelo Golpe Parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff.

Enquanto grande parte da imprensa internacional reconhece e denuncia o Golpe no Brasil, por aqui, uma imprensa totalmente comprometida com os interesses dos mais ricos omite da classe trabalhadora, a verdade sobre os fatos.  Como escreveu o renomado jornalista brasileiro, Paulo Henrique Amorin, a grande imprensa do Brasil age, realmente, como um “Quarto Poder”. Este “Poder” não tem regras, nem escrúpulo e nem compromisso com a verdade.

O Ramo Vestuário da CUT fez tudo que estava ao seu alcance para impedir que o Brasil sofresse um retrocesso tão gigantesco. É papel das entidades sindicais lutarem pelos interesses dos trabalhadores e isso, certamente, continuaremos fazendo.

Inicia-se uma nova etapa na luta e organização da classe trabalhadora brasileira. Esta luta será essencialmente pela garantia dos direitos que estão sob ameaças concretas dos Golpistas, mas também pela defesa incondicional dos nossos princípios democráticos. Sem democracia, não há direitos e sem direitos, não há nada.

São Paulo, 31 de agosto de 2016.

Cida Trajano – Presidenta da CNTRV/CUT

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