Para Dilma, prisão de Lula é injusta e o tornaria herói

Na noite da última terça-feira (27), a presidenta eleita Dilma Rousseff (PT), concedeu sua primeira entrevista exclusiva após ser afastada da Presidência da República em decorrência de um golpe parlamentar. A petista falou sobre a possibilidade de prisão do ex-presidente Lula, agora indiciado pela Lava-Jato.

“Não acredito que eles cometam este absurdo, não porque sejam bons, mas acredito que também não são burros. Acho que transformará a prisão de uma pessoa visivelmente injustiçada em um herói. Acho que eles não irão querer”, explicou a presidenta, que acredita ser parte do golpe inviabilizar a candidatura petista para 2018. “O golpe só se completa com isto. As forças que deram o golpe têm muito interesse que ele seja julgado e condenado. Eles tiram o Lula do jogo e se livram da Lava Jato.”

Na entrevista, concedida ao jornalista Bob Fernandes, na TVE da Bahia, a presidenta também falou sobre a prisão do ex-ministro da Fazenda de seu governo, Guido Mantega. “Foi um ato de desumanidade, que não é corrigido pelo fato de que na sequência eles cancelam a prisão. Pelo contrário, sublinha uma questão, se não era pra prender, não prendia. O Guido não precisava ser preso, é uma pessoa integra que foi injustiçada”, afirmou Dilma, que as formas distintas com que os investigados da Lava Jato são tratados.

“Eu acho estranhíssima a seletividade com que tratam as questões hoje no Brasil. Eu sou a favor que se investigue a corrupção, doa a quem doer. Não é admissível prender o Guido Mantega e deixar o Cunha solto”, ponderou Dilma.

O repórter perguntou à presidenta sobre as mais de 14 horas em que Dilma foi submetida às perguntas dos senadores no julgamento do processo de impeachment no Senado. “Ali, estava em jogo uma outra questão, estava em jogo a democracia no Brasil. A questão básica que estava na pauta era se é golpe ou não é golpe. Eles romperam um artigo da Constituição, eles seguiam o processo formalmente, mas eles não discutiam o conteúdo.”

Para a presidenta, havia dois interesses diferentes em jogo no processo de impeachment: “Então, tinha gente ali interessada em afastar o governo Dilma para estancar as investigações, que foi a frase do Jucá dita em Abril. Além disso, havia os que queriam aplicar um programa de governo que não foi aprovado nas urnas, e isso está sendo confessado. Eles vão confessando. A última confissão foi feita pelo presidente ilegítimo e usurpador, atualmente no cargo, que disse o seguinte: ‘nós fizemos o impeachment para poder aplicar o programa Ponte para o Futuro’. Ora, o programa, que tira direito trabalhistas, tira direitos sociais, que privatiza, que vende as terras a estrangeiros, esse programa não foi aprovado nas urnas. Então, essa é uma outra razão do golpe”, encerrou.

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