No governo Temer, indústria nacional vai para o buraco

“O setor industrial, em agosto de 2016, volta a mostrar um quadro de menor ritmo produtivo, com perfil disseminado de taxas negativas, já que três das quatro grandes categorias econômicas e 21 das 24 atividades apontaram redução na produção. Com o resultado desse mês, o total da indústria encontra-se 21,3% abaixo do nível recorde alcançado em junho de 2013, diz o IBGE, em nota.

Apesar de as perdas terem sido generalizadas, os principais resultados negativos vieram dos produtos alimentícios (-8%) e veículos automotores, reboques e carrocerias (-10,4%).

Entre as categorias económicas, a produção de Bens de Consumo Duráveis apresentou queda de 9,3 por cento sobre julho, recuo mais forte desde junho de 2015 (-13,5 por cento). Já os Bens Intermediários recuaram 4,3 por cento, maior queda desde dezembro de 2008 (-11,3 por cento).

Apesar do esforço da mídia em construir um ambiente de otimismo após a derrubada da presidenta Dilma Rousseff, a realidade tem se mostrado mais dramática. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês), por exemplo, aponta que, em setembro, o setor industrial reduziu a produção e o número de funcionários devido à fraqueza tanto do mercado externo quanto interno.

O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, admitiu nesta terça-feira (4) ver com “certa preocupação” os resultados da produção industrial no país. O fato é que, até então, nenhuma medida apresentada pelo atual governo tem o poder de barrar o processo de desindustrialização da economia brasileira.

Após participar de reunião, no Palácio do Planalto, do chamado Fórum de Desenvolvimento Produtivo, ele apelou para a principal estratégia do governo temer para responder às críticas em todas as áreas: colocar a culpa nas costas do governo anterior.

“Avaliamos com certa preocupação [o resultado divulgado pelo IBGE]. Estamos trabalhando para que os números voltem a crescer. A crise que recebemos no país era aguda e profunda. Este tema de exportações, que discutimos no fórum, poderá contribuir para a melhoria do desempenho da indústria”, afirmou o ministro.

Segundo ele, o grupo vai focar as discussões em três eixos principais para estimular a economia e “destravar o Brasil”: infraestrutura, exportações e “melhoria” do ambiente de negócios.

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