Sindicato dialoga com juventude sobre saúde e segurança no trabalho

Miro Jacintho, presidente da entidade falou para alunos do SENAC/Jaú sobre os principais problemas enfrentados nas fábricas de calçados

Por: Redação STICJ

Nesta segunda-feira, 3, o presidente do Sindicato dos Calçadistas de Jaú, dialogou com jovens estudantes sobre a falta de segurança nas fábricas do setor calçadista de Jaú e como isso afeta o trabalho e a vida dos trabalhadores e trabalhadoras em um dos principais setores industriais da região. A palestra foi realizada para alunos do curso de Técnico em Segurança do Trabalho do SENAC e abordou, dentre outros assuntos,  a NR 12 e sua importância para a promoção de um ambiente de trabalho seguro e saudável.

Miro relatou que grande parte das empresas não cumprem as normas vigentes sobre saúde e segurança e que o tema é um dos principais desafios da ação sindical. “Existem centenas de fábricas de calçados em Jaú. A maioria não tem CIPA, seja pela falta de exigência da lei, ou por descumprimento dela. No geral, as máquinas são antigas e inadequadas e os ambientes não oferecem ergonomia e conforto para o desenvolvimento das tarefas”, apontou o sindicalista.

Outro problema é a falta de profissionais da área de saúde e segurança realmente comprometidos com o cumprimento das Normas. “Infelizmente, muitos profissionais são contratos pelas empresas somente para burlar as Normas, invés de implementá-las. A cultura patronal em nosso país é algo assustador. O lucro está acima de tudo, até mesmo da saúde e da vida dos empregados”, lamentou Jacintho que destacou ainda que a extinção do Ministério do Trabalho e Emprego contribui para o aumento do trabalho precário e degradante. “A fiscalização já era precária e a situação piorou após a extinção do Ministério”.

Mudanças nas NRs preocupa

O anúncio do governo de Jair Bolsonaro (PSL) de que vai reduzir em até 90% as normas que garantem proteção e segurança do trabalho preocupa entidades de defesa dos trabalhadores como a CUT, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Sindicato dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait). Sem as normas, o risco de os acidentes e doenças ocupacionais aumentarem ainda mais é muito maior.

Atualmente, quase três mil trabalhadores e trabalhadoras perdem a vida em consequência de acidentes de trabalho, mais de 14 mil são afastados por lesões incapacitantes e mais de 700 mil têm doenças laborais, segundo dados oficiais da Previdência Social.

“Esses são dados”, alerta o presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Carlos Silva, “ que não levam em conta milhões de trabalhadores que estão na informalidade. Isso sugere que o problema, já muito grande, é, na realidade, muito maior”.

Entre as 36 Normas Regulamentadoras (NRs) de segurança e saúde no trabalho que o governo quer rever para, segundo Bolsonaro, gerar mais empregos, está a NR 12, que regula máquinas e equipamentos, justamente o setor responsável pelo maior número de acidentes de trabalho no país. Para Bolsonaro, a NR12 é uma trava à geração de novos postos de trabalho.

Entre 2012 e 2018, foram registrados 528.473 acidentes de trabalho (15,19% do total) envolvendo máquinas e equipamentos. Do total de acidentados, 2.058 morreram e 25.790 foram submetidos a amputações ou enucleações, que é a extirpação de um órgão após incisão.

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