OS CALÇADISTAS ESTÃO “DESCALÇOS”

A capital do calçado feminino precisa valorizar mais os trabalhadores e trabalhadoras do mais importante setor industrial da cidade

Por: Miro Jacintho – Presidente do Sindicato na Indústria de Calçados de Jaú

Qualquer morador de Jaú se orgulha em dizer que somos a capital nacional do calçado feminino. Visitantes raramente saem daqui sem comprar pelo menos um dos milhares desses belíssimos pares de sapatos femininos fabricados em nossa cidade e expostos em centros comerciais que só existem graças a este produto.

Por outro lado, nem mesmo o poder público reconhece que nos bastidores dessa “fama” estão milhares de trabalhadores e trabalhadoras calçadistas. Sem eles, a cidade não produziria sequer um par de sapatos.

Somos muitos. Certamente impulsionamos a economia do município, principalmente o comércio. Para ser mais preciso, segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioecômicos, DIEESE, cerca de 4 mil calçadistas de Jaú são formais, com carteira assinada. Desses, 50,1% são homens e 49,9% são mulheres, sendo que do total, 38,7% deles tem entre 15 e 29 anos.

Contudo, na informalidade das bancas e das fábricas (que insistem em cometer o crime de não registrar seus empregados), estimamos pelo menos o dobro desse número. São trabalhadores que não têm seus direitos garantidos, fazem jornadas extenuantes e são submetidos a salários inferiores dos previstos na Convenção Coletiva do Sindicato.

Tivemos um pequeno avanço sobre a fiscalização, mas não durou muito. Fomos atropelados pelo fechamento do Ministério do Trabalho, promovido pelo novo governo, fazendo com que as denúncias, as fiscalizações e possíveis resoluções regredissem.

Em muitos casos, mesmo com registro em carteira, patrões do calçado insistem em sonegar direitos e prejudicar seus funcionários, principalmente na hora da demissão, já que a reforma trabalhista tirou dos trabalhadores o direito da homologação no Sindicato, que era sempre acompanhada por um profissional especializado nos direitos dos trabalhadores.

Enquanto Jaú comemora seus 166 anos, a categoria que impulsiona o desenvolvimento da cidade está em plena Campanha Salarial e tudo que as empresas oferecem é uma mísera reposição de acordo com inflação (3,31%). Lutar por melhores salários, benefícios e condições de trabalho no setor calçadista de Jaú é um desafio que exige uma superação “cultural”.  De um lado, os patrões estabeleceram a cultura da exploração máxima. De outro, os trabalhadores se acostumaram com essa exploração. A consciência precisa mudar: dos dois lados!

Com a mais absoluta certeza que esses milhares de homens e mulheres calçadistas são os verdadeiros responsáveis pelo título que orgulhosamente a cidade carrega, o Sindicato dos Calçadistas parabeniza a cidade de Jaú pelos seus 166 anos e deseja igualdade, oportunidade e justiça para cada um e cada uma de seus habitantes.

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