Calçadistas debatem os impactos da reforma trabalhista na categoria

Roda de conversa foi realizada no último sábado e contou com participação de dirigentes e militantes

Uma roda de conversa realizada pelo Sindicato em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Vestuário da CUT, CNTRV, promoveu o debate sobre os impactos da reforma trabalhista na categoria. Os participantes identificaram os principias pontos e apresentaram propostas para barrar os efeitos na nova legislação trabalhista, em vigor desde 2017.

A atividade ocorreu de forma extensiva do projeto “Promover os Direitos Humanos e Fortalecer a Ação Sindical e a Igualdade de Gênero no Ramo Vestuário do Brasil”, desenvolvido pela CNTRV, em parceria com o Solidarity Center da AFL-CIO (maior central sindical dos EUA) e Fundação C&A.

 

Principais problemas

Ao contrário do que foi prometido por Temer e seus aliados, a reforma trabalhista não gerou novos postos de trabalho. Segundo a avaliação da direção do Sindicato, entre 2018 e 2019 o setor fechou cerca de 600 vagas, a maioria substituída por contratações precárias e sem registro em carteira.

“Mesmo a reforma trabalhista mantendo a obrigatoriedade do registro em carteira, os patrões se sentem mais à vontade para precarizar as relações de trabalho. A extinção do Ministério do Trabalho e o discurso antissindical do atual governo coopera neste sentido”, avaliou Miro Jacintho, presidente do Sindicato.

Outro problema recorrente se refere à homologação feita na empresa sem o acompanhamento do Sindicato, que resultou em mais irregularidades e mais calotes das verbas rescisórias. “O não pagamento da rescisão e falta de registro em carteira são as principais reclamações no Sindicato. Nosso departamento Jurídico tem acionado a Justiça do Trabalho para garantir os direitos dos trabalhadores, mas é bom lembrar que até mesmo a Justiça do Trabalho está na mira de Bolsonaro e pode ser extinta a qualquer momento”, declarou Jacintho.

 

Sindicalização e fortalecimento do Sindicato

O aumento do índice de sindicalização é o grande desafio do movimento sindical em todo o mundo. No Brasil, a reforma trabalhista enfraqueceu os sindicatos que contam com menos atrativos assistenciais para atrair sócios e sócias. Contudo, o maior problema enfrentado pelos sindicatos para manter ou ampliar o quadro de sócios é o desemprego.  Na avaliação da direção do Sindicato dos Calçadistas, a retirada e as ameaças aos direitos promovida pelos governos Temer e Bolsonaro está fazendo com que muitos trabalhadores/as percebam a importância da ação sindical.

“Os patrões querem pagar menos e garantir menos direitos. Prova disso foi o fato das negociações salariais desse ano não avançarem junto ao Sindicato Patronal. Recorremos à Justiça para garantir os direitos da categoria e isso é algo que só o Sindicato pode fazer. Por outro lado, estamos avançando em acordos coletivos por empresa e já obtivemos conquistas inéditas como PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e auxílio creche, por exemplo”, destacou Flávio Coutinho, dirigente do Sindicato.

 

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